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Alemanha busca fundos privados para projetos climáticos na África, no Brasil e outros locais, diz jornal

Alemanha busca fundos privados para projetos climáticos na África, no Brasil e outros locais, diz jornal

 

ERLIM (Reuters) - A Alemanha divulgará uma iniciativa nas negociações da ONU sobre mudança climática nesta semana para atrair mais investimentos privados em projetos na África, no Brasil e em outros lugares, disse o ministro do Desenvolvimento, Gerd Mueller.

Mueller afirmou à rede de jornais RND que a Alemanha "enviará um forte sinal" na conferência climática da ONU em Katowice, na Polônia, com sua iniciativa Aliança para o Desenvolvimento e Clima e uma promessa de gastar 1,5 bilhão de euros adicionais em proteção climática.

As expectativas são baixas para as reuniões desta semana, dadas as divisões dentro da Europa e a tensão entre os Estados Unidos e a China. [nL1N1Y702K]

Delegados de cerca de 195 nações buscarão produzir um "livro de regras" para detalhar o Acordo de Paris de 2015, que os Estados Unidos, a mando do presidente Donald Trump, se retiraram.

Mueller disse que é imperativo ajudar países como Brasil, Índia, China e muitas nações da África a desenvolver sua capacidade de fornecer eletricidade para suas populações em crescimento sem depender da produção de carvão.

"Podemos ajudar a dar saltos no desenvolvimento", declarou ele. "Temos a tecnologia e o conhecimento".

Mais de 70 empresas já se inscreveram para a nova iniciativa alemã, ele disse, que busca aumentar os fundos privados para projetos climáticos em países em desenvolvimento e economias emergentes.

"Mesmo sem uma data concreta para o fim da produção de carvão, a Alemanha enviará um forte sinal em Katowice", afirmou Mueller.

Negociações climáticas começam na Polônia com poucas expectativas

Por Barbara Lewis e Anna Koper

KATOWICE, Polônia (Reuters) - Delegados de quase 200 países iniciaram neste domingo duas semanas de negociações para tratar de profundas divisões políticas na mais importante reunião da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre aquecimento global desde o marco do Acordo de Paris, em 2015, para deixar de usar combustíveis fósseis.

Expectativas estão baixas de que as negociações em Katowice, no coração da região carvoeira da Polônia, serão suficientes para resolver preocupações manifestadas em relatórios ao longo das últimas semanas sobre a gravidade das crescentes emissões de gases estufa.

O clima político também mudou desde o acordo de Paris e a frágil unidade global que permitiu o acordo se quebrou.

O primeiro-ministro de Fiji, Frank Bainimarama, declarou a conferência da ONU aberta neste domingo e entregou a presidência das conversas a Michal Kurtyka, vice-ministro do Meio Ambiente da Polônia.

"Todos teremos de mostrar criatividade e flexibilidade", disse Kurtyka.

Agravando as tensões, o Brasil voltou atrás em uma promessa de sediar a próxima conferência climática da ONU, no próximo ano, em decisão que teve a participação do presidente eleito, Jair Bolsonaro. [nL2N1Y321B]

Os Estados Unidos, enquanto isso, reiteraram na cúpula do G20, na Argentina, no sábado sua decisão de sair do acordo de Paris e um comprometimento nacional de usar todas as fontes energéticas.

Os outros membros do grupo dos 20 países mais industrializados - incluindo a China, maior poluente - reafirmaram seus compromissos de implementar o acordo de Paris, levando em conta suas circunstâncias nacionais e capacidades relativas.

As negociações em Katowice antecedem um prazo que vence no fim do ano para produzir um "livro de regras" para registrar os amplos detalhes que foram acordados em Paris, cujo objetivo é de limitar a alta nas temperaturas globais a entre 1,5 e 2 graus Celsius.

Para dar uma melhor chance às negociações, o início das conversas em Katowice foram adiantadas em um dia.

Bolsonaro diz que acredita na ciência ao falar de aquecimento global, mas critica países europeus

(Reuters) - O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) disse neste sábado que acredita na ciência ao ser questionado sobre a existência do aquecimento global, mas criticou a preservação de florestas pelos países europeus, muitos dos quais fazem dura defesa de acordos sobre mudanças climáticas.

"Eu acredito na ciência e ponto final. Agora o que que a Europa fez para manter as suas florestas, as suas matas ciliares? O que que eles fizeram? Querem dar palpite aqui?", afirmou Bolsonaro, após participar de cerimônia da Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende, no Rio de Janeiro.

Bolsonaro, que disse no fim de outubro que não retiraria o Brasil do Acordo de Paris após ter ameaçado fazê-lo durante a campanha presidencial, reiterou neste sábado que a fiscalização ambiental em seu governo mudará em relação ao modelo de hoje, que criticou duramente.

Também pontuou que as atuais políticas para indígenas e para o meio ambiente não trabalham em prol do Brasil, mas respondem a interesses de fora do país.

"Sou defensor do meio ambiente, mas dessa forma xiita, como acontece, não. Não vou admitir mais Ibama sair multando a torto e a direito por aí, bem como ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade). Essa festa vai acabar", disse.

A jornalistas, ele afirmou ter recebido uma multa de 10 mil reais do Ibama por evento registrado "numa hora e dia onde eu tinha botado o dedo no painel de votação em Brasília".

"Estou na iminência de entrar na dívida ativa. Vou pagar essa multa? Vou. Mas eu sou uma prova viva do descaso, da parcialidade e do péssimo trabalho prestado por alguns fiscais do Ibama e ICMBio", afirmou.

Bolsonaro disse ainda que o comando do ministério do Meio Ambiente não foi definido e que está tendo dificuldade para bater o martelo em meio aos nomes "muito bons" que analisa.

Sobre a configuração da Esplanada, destacou que o número atual está em 20 ministérios e que "vai ficar mais ou menos por aí". Antes, chegou a falar em 17 pastas como teto. Neste sábado, apontou que, de qualquer forma, o retrato final será mais enxuto que o de hoje.

MILITARES

O presidente eleito também defendeu a aprovação no Congresso de medida provisória sobre reestruturação da remuneração dos militares das Forças Armadas.

"O parlamento, juntamente com o Senado, tem que votar a Medida Provisória 2.215 de modo que nós tenhamos uma lei de remuneração que nos atenda e reconheça o valor dos integrantes das Forças Armadas", afirmou.

Ele se disse contrário, contudo, à Proposta de Emenda à Constituição 300, que define que o piso salarial dos policiais civis e militares e dos bombeiros seja estabelecido por uma lei federal, com concomitante criação de um fundo para ajudar Estados a arcar com os valores.

Segundo Bolsonaro, essa dinâmica é vedada pela Constituição, já que os Estados é que devem pagar os salários dos servidores estaduais.

(Por Marcela Ayres)

Fonte: Reuters

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